13.9.08

Boa noite, Boa sorte

Não venha me contar
Suas coisas tristes
Tudo o que existe se vai no ar
E mesmo se falar
Tampo meus ouvidos
Tudo o que existe se vai no ar

Boa noite, Boa sorte
Você vai precisar

Se olhar pra trás
Cubra bem os olhos
Tudo o que existe se vai no ar
Não venha me questionar
Já estou voando
Tudo o que existe se vai no ar

Boa noite, Boa sorte
Você vai precisar

Mais e mais palavras suas
Se perdem no escuro
Tudo o que existe se vai no ar
Se eu te enxergar
De longe, grito
Tudo o que existe se vai no ar
Quando tropeçar
No seu próprio nada
Tudo o que existe se vai no ar

Boa noite, Boa sorte
Você vai precisar

E se quiser chorar
Te dou minha estrela
Mas tudo o que existe se vai no ar

12.9.08

Preciso ir...

Sem rumo, sem compania e sem novas idéias. Fechei meus olhos e parti em linha reta para qualquer lugar. Ao abrí-los, logo reconheci uma esquina rochosa que há muito eu não via. A distância até a água do mar era a mesma, as ondulações na areia também. Encostei nela, buscando os detalhes que agora, a claridade do dia me permitia reparar. Conclui, com alguma tristeza, que hoje, ela é apenas uma esquina, como essas em que dois caminhos se cruzam e, depois seguem... uma pedra.

Molhei meu rosto, tentando despertar mais uma vez, nem que por alguns segundos, desse transe que há algumas semanas vem me drogando. Inútil, não consegui. Começei então, a escalar a pedra, como se lá em cima eu fosse encontrar uma resposta, um sinal. No alto, caminhei lentamente até a beirada com o intenso desejo de seguir em frente pela última vez e não mais ter que carregar o peso de sentir. Decidi. Como forma de me despedir do mundo, olhei para cima. Por uma fração de segundo, pensei ter visto um balão, enxerguei o Sol, e depois mais nada.

Acordei, sem saber quanto tempo havia passado, mas me sentindo bem, livre...
Não sei se ainda estou vivo, mas com certeza estou mais vivo do que antes.
Lembro de ouvir o Sol me dizer para seguir o meu próprio caminho, da próxima vez.
Agora, preciso ir...

8.9.08

(De)pendência

Tenho uma sensação estranha
Nem ruim, nem boa
Mas estranha
Que nada me diz mais
Nada me diz

Tenho uma vontade crua
Nem velha, nem nova
Mas crua
Que nada me diz mais
Nada me diz

Não me largue justo agora
Que não preciso de você
Apenas te quero mais

Tenho uma idéia nossa
Nem minha, nem sua
Mas nossa
Que nada me diz mais
Nada me diz

Tenho uma falta falsa
Nem aqui, nem lá
Mas falsa
Que nada me diz mais
Nada me diz

Não me largue justo agora
Que não preciso de você
Apenas te quero mais

6.9.08

Deixa

Às vezes me sinto mais leve que o Sol
Subindo às três
Confiante de tudo
Que me falha e não sei
Mas se não for,
Me escondo outra vez

Sempre senti o teu gosto de mar
Subindo depois das seis
Alheio a tudo
Que eu tanto ansiei
Mas se não for,
Me escondo outra vez

Nunca senti teu medo de estrela
Caindo antes das três
Vazio com tudo
Que te mudou ou te fez
Mas se não for,
Me escondo outra vez

Ainda sinto o peso do céu
Caindo às seis
Iludido com tudo
Que restou e refez
Mas se não for,
Me escondo outra vez

Deixa...

5.9.08

Humana Música

No início, a música usa suas notas e o intervalo entre elas para se apresentar. A primeira impressão é decisiva, se ela for negativa, a música é rapidamente abortada. No caso de uma boa impressão, tudo começa a fluir e a aparentar a perfeição. Lá para o meio, já conhecemos a sua intimidade, e podemos escolher entre dois caminhos: trocar de música, se ela não for tudo aquilo que pensamos antes, ou emprestar-lhe nossos ouvidos por mais alguns, vários segundos. Se a escolha for pela primeira opção, tudo acaba AQUI.

Eu escolho a segunda. Por mais que lutemos contra, a repetição é inevitável, e não se pode garantir que o encanto inicial sobreviverá. Essa tendência é um vício humano que nos leva a transformar coisas especiais em coisas corriqueiras, chegamos a acreditar que já conhecemos toda a intimidade da música. Engano nosso. Ela continua e pode nos surpreender a qualquer momento com uma modulação, um solo, ou o que a imaginação permitir. Esse clímax tem o poder de alterar, como bem o convir, tudo o que foi ouvido e dito para melhor ou pior.

Ao se aproximar do silêncio, resta aos sobreviventes uma última escolha: aceitar a efemeridade de todas as coisas físicas e seguir em frente, como se nada tivesse acontecido, ou eternizar tudo isso em forma de sentimento, como fazem as pessoas que amam.

Nós, os românticos, até escutamos novamente a mesma música.

Voo

Tento te esquecer
Mil bocas ao beijar
Sinto não ter
Lembrança pra contar

Te perco ao me achar
Sem hora pra voltar
Sinto não querer
Mais encontrar você

O pensamento voa
Voo ao pensar

Penso não ser
Como seus olhos crêem ver
Da sua visão eu sinto dó
Mesmo eu sendo só

Conheço um lugar
Livre pra sonhar
Sem culpas ao morrer
Fujo pra não dizer

Lá, o pensamento voa
Voo ao pensar

Desencontro ao fugir
Rabiscando o meu sol
No horizonte a se perder
E mais me perco e vou voar

1.2.08

Sol

Esperar o sol
voltar outra vez,
Rindo, a sós
De nada a perder

Vou virar só
Sem te ter
Então eu viro um sol
Pra te ver

Mas, Sol, não posso crer
Em tua chama
Que me vem e vai
Descasa e chama

Me espera, Sol
Não se esconda
Se fica só
Me acompanha

Não me venha, Lua,
Por constar
Nua é a luz sua
Que nem cega ao olhar

E se ,vermelha, fica
Também me olha
No horizonte guia
Nosso passar de horas

Quando cedo cai,
Tarde volta
E um novo dia sai,
Já brilha agora...

E esperar o sol
voltar outra vez,
Rindo, a sós
De nada a perder